Mais um caso de correção intrauterina da Mielomeningocele feita com sucesso

correção intrauterina da Mielomeningocele

A correção intrauterina da Mielomeningocele vem ganhando cada vez maior adesão entre as famílias que tem diagnóstico precoce na gestação. Embora seja difícil lidar com a carga de emoções relacionadas à confirmação desta doença, quanto antes é tratada, mais altas são as possibilidades de sucesso. 

Intervir ainda durante a formação do bebê, até a 26ª semana de gestação, significa dar a ele a chance de se desenvolver com uma quantidade menor de sequelas. Dando assim a perspectiva de nascer com mais saúde e autonomia futura. Assim, os pais precisam buscar informações com agilidade e seguirem firmes na compreensão dos possíveis caminhos. 

Caso a correção intrauterina da Mielomeningocele seja uma opção viável, existirão muitos desafios: cobertura da cirurgia pelo plano de saúde, falta de informação, por vezes até do obstetra que faz o pré-natal, sobre a realização da cirurgia fetal, entre outras dificuldades. Muitas vezes, a própria classe médica não está familiarizada com as técnicas de Cirurgia Fetal e com seus benefícios já cientificamente comprovados.  

Correção intrauterina da Mielomeningocele em Curitiba

Este foi o caso desta família curitibana sobre o qual contaremos um pouco hoje, aqui no Blog da Cirurgia Fetal. Eles trilharam um caminho de sucesso junto à nossa equipe e, recentemente, comemoraram o primeiro ano de vida do filho. 

O exame de translucência nucal foi realizado no período correto, na 12ª semana de gestação. No exame seguinte o sexo foi visto mas a médica que realizava o exame não conseguiu ver direito o cerebelo do feto. Este já é considerado um dos sinais de alarme para a ocorrência de Mielomeningocele.

O médico responsável pelo pré natal solicitou então a realização de um exame morfológico, agendado para a 22ª semana, em uma nova clínica de medicina fetal. Neste exame, o médico ultrasonografista pôde visualizar o defeito diretamente na coluna. 

Então a família descobriu a possibilidade de correção intrauterina da Mielomeningocele naquele caso após contato com outra família que havia optado pela cirurgia intrauterina. 

Diante da idade gestacional, havia pouco tempo para entender os ganhos e riscos deste caminho. Foram realizados também os exames complementares de amniocentese para cariótipo fetal e uma ressonância. 

A corrida para a correção intrauterina da mielomeningocele

Diante da confirmação do diagnóstico, o obstetra responsável pelo pré-natal propôs à família aguardar o nascimento do bebê, para então realizar a primeira neurocirurgia. Ele se opôs à abordagem fetal. Os pais decidiram então buscar um novo especialista para seguir acompanhando a gestação. 

Ao decidir pela correção intrauterina da Mielomeningocele, a apenas duas semanas do prazo limite para a realização deste tratamento, foi preciso correr. A família encontrou, na nossa equipe, a multidisciplinaridade necessária para ter segurança e agilidade durante todo o processo. 

Em paralelo, contratou um advogado que entrou com uma ação frente ao Plano de Saúde da gestante para custear o tratamento. Isto porque as intervenções fetais ainda não constam no rol de cobertura obrigatória definido pela Agencia Nacional de Saúde no Brasil, sendo realizadas apenas por poucas equipes especializadas. 

A autorização do Plano de Saúde foi concedida no mesmo dia, se responsabilizando pelos custos hospitalares e com a equipe médica. Assim, o planejamento da cirurgia pôde ser desenhado, com todo o rigor, pelos especialistas complementares reunidos para cuidar deste caso. 

A realização da correção intrauterina da Mielomeningocele

A cirurgia foi agendada para a 26ª semana de gestação, no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Os médicos verificaram que, nesta altura, as sequelas poderiam ser mínimas, mas mesmo assim havia chances da necessidade de colocar uma válvula ventrículo-peritoneal para drenar a hidrocefalia, após o nascimento. 

A correção intrauterina da Mielomeningocele foi realizada com sucesso, durando cerca de 3 horas. A cirurgia transcorreu sem intercorrências, com anestesia geral do feto e da gestante, que se recuperaram bem. 

A equipe médica responsável prestou atendimento próximo nos três dias de internação pós-cirúrgicos, avaliando a vitalidade fetal e investigando sinais precoces de qualquer complicação. No quarto dia, a gestante teve alta, com agendamento de um novo ultrassom morfológico para o sétimo dia pós-cirúrgico.

Durante o ultrassom, foi visível que o defeito na coluna havia sido totalmente corrigido, sendo possível identificar o cerebelo já no seu lugar. O planejamento da cesariana foi feito para a 36ª semana de gestação, com indicações de repouso relativo para a gestante. 

Entretanto o bebê quis nascer antes, fato relativamente comum após o procedimento. A bolsa rompeu com 30 semanas e 4 dias. A gestante foi encaminhada para a maternidade e o bebê recebeu corticoide para amadurecer o pulmão – procedimento padrão em casos de prematuridade. 

Nasceu três dias após a entrada na maternidade, sem hidrocefalia. Foi identificada uma fístula liquórica no bebê decorrente de cicatrização incompleta. Houve também a necessidade de oxigenação auxiliar e banho de luz, cuidados estes igualmente esperados em função da prematuridade. 

Os cuidados pós natais

Logo no dia seguinte foi submetido à correção da fístula liquórica, sem intercorrências.  Por ser prematuro, permaneceu em observação por 21 dias na incubadora, ainda com o auxílio de oxigênio, e, depois, ficou por mais 11 dias no quarto, junto com a mãe. 

Aos 33 dias de vida, receberam alta, com instruções para mais 45 dias de home care. Durante este período, já iniciou tratamentos de fisioterapia e fonoaudiologia, recuperando-se cada vez melhor. 

Os movimentos das pernas e tônus da musculatura estavam sempre presentes e adequados; ademais não desenvolveu hidrocefalia nem necessitou de colocação de válvula na cabeça para drenar o líquor. Estas características denotavam o grande sucesso da correção intrauterina da Mielomeningocele. Aos seis meses de idade, o bebê apresentou uma hérnia inguinal que foi prontamente corrigida com sucesso por membros de nossa equipe, não mais apresentando outros problemas. A evolução como um todo foi excelente, recuperando-se dentro do previsto. 

Com um aninho completo, faz acompanhamento constante com dois membros da nossa equipe, especialistas em Cirurgia Pediátrica (Urologia Pediátrica) e Neurocirurgia, Ortopedia Pediátrica com quem temos amplo contato. Tem todos os movimentos das pernas preservados e muito bons, não precisou usar talinha ortopédica, já está engatinhando e deve caminhar na idade normal.  

 

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Primeira Cirurgia Fetal de Mielomeningocele pelo SUS no Paraná

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