Tratamentos possíveis para malformações fetais

Aproximadamente 1% das gestações apresenta anomalias estruturais ou alterações no desenvolvimento fetal. Felizmente, já existem tratamentos para algumas malformações fetais; desde que sejam diagnosticadas precocemente.

Com os avanços tecnológicos, surgiram métodos de imagem que não apenas possibilitam a identificação das malformações, mas possibilitaram realizar procedimentos intrauterinos minimamente invasivos. Assim, algumas doenças fetais podem ser, muitas vezes, corrigidas durante a gestação, proporcionando maior sobrevida ou mais qualidade de vida para o feto.

Os tratamentos para malformações fetais podem ser indicados para diversos tipos de doenças, como:

  • Mielomeningocele: uma malformação congênita na coluna vertebral, caracterizada pelo não fechamento da porção mais baixa do tubo neural, fazendo com que o final da medula espinhal e meninges fiquem presas à pele. O diagnóstico pode ser feito durante a ecografia morfológica, entre 18 e 22 semanas, pela visualização direta do defeito, ou sinais indiretos de alterações na cabeça do feto. A Cirurgia Fetal de Mielomeningocele pode ser realizada por via aberta ou vídeocirúrgica, com grande potencial de diminuir as sequelas motoras e neurológicas do feto. 

 

  • Síndrome da Transfusão Feto-Fetal: quando gêmeos compartilham a mesma placenta e há passagem de sangue entre um (doador) e o outro (receptor). O diagnóstico é feito pela identificação de diferenças em relação à quantidade de líquido amniótico, à repleção da bexiga, às alterações hemodinâmicas e cardíacas,  e em função da gravidade da doença. O procedimento indicado é a Ablação Fetoscópica a Laser dos vasos sanguíneos que causam este desvio.

 

  • Hérnia Diafragmática Congênita: quando o fechamento inadequado do diafragma leva à subida de órgão abdominais para o tórax, inibindo o desenvolvimento pulmonar. O diagnóstico é feito pela identificação das vísceras abdominais no tórax e desvio do coração fetal. Geralmente, também há aumento do líquido amniótico. Nos casos graves, pode-se fazer a Oclusão Traqueal Fetal, com balão inserido por fetoscopia na traquéia do feto, induzindo o desenvolvimento do pulmão.

 

Outras situações em que os tratamentos para malformações fetais podem ser indicados são a Anemia Fetal, malformação Adenomatóide Cística, Sequestro Pulmonar, Malformações CardíacasTeratoma Sacrococcígeo, entre outras, que você pode conferir aqui

Tratamentos possíveis para malformações fetais 

Diferentes técnicas podem ser usadas nos tratamentos para malformações fetais. Elas serão indicadas caso a caso, de acordo com o tipo e grau da doença diagnosticada.

A Cirurgia Fetal Endoscópica, por exemplo, pode ser recomendada em malformações como a Síndrome da transfusão feto-fetal, Hérnia diafragmática congênita, Anemia fetal, problemas cardíacos e no trato urinário, entre outras. 

É técnica cirúrgica minimamente invasiva que utiliza um endoscópio de fibra óptica, conhecido como fetoscópio. Ele proporciona melhor visualização do espaço operacional, ao mesmo tempo que a transmissão do procedimento é feita em tempo real, para um monitor.

Já a Cirurgia Fetal a Céu Aberto, é realizada a partir da abertura do abdome materno, com exposição e abertura do útero, para que seja feita a abordagem diretamente no feto. Pode ser indicada em casos de Mielomeningocele, ou quando há presença de tumores, como Teratoma Sacrococecígeo Fetal.

O EXIT, abreviatura de “ex-utero intrapartum treatment”, é uma abordagem feita no feto durante o parto, antes do clampeamento do cordão umbilical. Assim, o neonato é mantido oxigenado pelo sangue que vem da placenta. Ao seu término, o cordão é ligado e o bebê passa a respirar por si só. Pode ser indicado quando, após a ligadura do cordão umbilical, o bebê não sobreviveria, porque o ar não chegaria aos pulmões. Como em casos de grandes tumores cervicais, tumores de língua e atresia de laringe e traquéia. 

Requisitos necessários para tratamentos para malformações fetais

  1. Prazos para a realização da abordagem, de acordo com a malformação: a maioria dos tratamentos para malformações fetais têm datas limites para serem realizados. Por exemplo, em casos de Mielomeningocele a correção deve ser feita antes da 27ª semana de gestação. 

Já o tratamento e, casos de Síndrome da transfusão feto-fetal deve ser feita entre a 15ª e a 26ª semana. Enquanto a Hérnia diafragmática congênita, entre a 24ª e 28ª semana gestacional.

  1. Doenças não associadas a outras malformações genéticas: algumas malformações podem estar associadas a certos distúrbios genéticos, o que contra-indica o tratamento fetal. 

Anormalidades cromossômicas, como as numéricas, chamadas aneuploidias, estão entre elas. As aneuploidias são caracterizadas pela presença ou ausência de cromossomos. 

  1. Análise de eventuais riscos: potenciais riscos para a mãe e para o feto devem ser analisados e comparados percentualmente com os benefícios que o tratamento pode oferecer. 

Além disso, só é possível planejar tratamentos para malformações fetais se o diagnóstico for feito corretamente e precocemente. Logo após a detecção da doença, a paciente deve ser encaminhada o quanto antes para centros especializados em Cirurgia Fetal.  

Os tratamentos para malformações fetais realizados durante o desenvolvimento intrauterino têm o potencial de aumentar a sobrevidade ou a qualidade de vida dos fetos a eles submetidos. Porém, as indicações devem ser cuidadosamente estudadas, caso a caso; observando todos os diferentes requisitos de forma que eles ofereçam benefícios e minimizem potenciais riscos.

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